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sábado, 20 de agosto de 2011
Deveras, Vera.
Ainda hoje fui ao médico.
Na sala asséptica
tudo é rigor e ética,
com um fato assimétrico.
Na parede um anjo colorido
com ar sereno, me consola.
Ri da dor que me assola,
e esqueço o ombro dolorido.
É dela,
estou salvo,
é Vera!
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
É a vida...
Eu, caminhando pela rua, converso com um amigo.
É triste envelhecer, ver o tempo passar e perceber, aos 45, que passamos da metade de nossa vida.
Em alguns anos, alguns de nossos melhores momentos serão na solidão do chuveiro.
Em mais alguns anos estaremos usando fraldas novamente.
Pelo caminho encontro conhecidos, falamos bobagens que fazem parte de nossas vidas.
Encontro minha musa.
Ela sorri, sem nada dizer eu a sigo e sento com ela na mesa do bar.
Dois chopes, palavras soltas, trocamos olhares, nossas mãos se tocam, sorrimos tolamente.
Ela ajeita o cabelo, disfarça um sorriso e vai.
Pergunto quando nos encontraremos novamente.
Ela sussura que sempre, e vai...
Observando extasiado seu corpo sedutor se dissolver na distância e se perder da multidão.
Me levanto e sigo. Meu amigo me alcança e me acompanha.
Em silêncio contemplo belas coisas pelo caminho.
Uma canção em minha mente.
É a vida, é bonita e é bonita...
Sabe amigo, é a vida!
segunda-feira, 8 de março de 2010
She

She
acrílica sobre tela
90x70cm
Ela queria alegria
Mas se deitava avessa
Ao avesso da euforia.
Ela buscava poesia
Mas se entregava vazia
Ao vazio da melancolia.
O sonho se dilui
Perde a inocência
A alma abandona o que possui
E subverte a consciência.
Onde o amanhã levará
Cada passo poderá dizer
A carne macia se converterá
Em noites vazias de prazer.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
À beira da estrada
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
terça-feira, 21 de julho de 2009
PARALISIA
Me pára
Cara amarrada
boca fechada
honra manchada
mentira velada.
Me paralisa
hipocrisia
falta de poesia
mente doentia
alma vazia.
veja mais paralisias
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Obrigado
terça-feira, 18 de novembro de 2008
100 anos sem solidão
acena desatenta,
vou ali, volto já!
Tão longe,
e nem parece
que saiu do lugar.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
um olhar oblíquo

Às vezes o fotógrafo parece enxergar algo diferente do que as demais pessoas vêem.
Existem algumas fotos que parecem transcender o plano material em que seus personagens e cenários estavam originalmente inseridos.
Por que isso acontece?
Talvez seja uma ligação imaterial com um outro plano existencial.
Talvez seja um apurado senso estético associado a uma profunda carga de conhecimento técnico.
Talvez seja simplesmente poesia.
terça-feira, 10 de abril de 2007
segunda-feira, 5 de junho de 2006
Verbo
MarceloM
Viver,
ainda que de modo angustiante
auferindo aos trancos
o hálito revigorante.
Sofrer,
pois não há quem se lembre,
além do agente,
do que ele fez em prol de toda gente,
construindo um presente
que dele prescinde e se ressente.
Arder,
pela força do grito aprisionado,
que jaz quedado,
ante a ignorância,
mesquinha falência moral,
que se impõe,
malgrado o desejo de ver realizado,
cumprido, completado, o plano...
Morrer,
ainda que tardiamente,
amado, cuspido, escarrado, odiado.
De peito erguido,
cabelo ao vento elevado,
tempo e espaço curvado a ver,
tão plena obra,
num só encarnado.
Fluir,
de um plano a outro,
levar de um o que o outro carece,
com equilíbrio e majestade,
ponto vulgar, celebridade.
Não mais agora, nem tarde.
Sempre no ocaso, à tarde.
Ser,
e que o seja além do existir,
que enseja o desejo no ser,
que se arrasta insosso,
sem ânimo ou tormento que o faça sentir.
Que anseie transcender o próprio ser,
buscando apenas ser, tudo.
Viver,
ainda que de modo angustiante
auferindo aos trancos
o hálito revigorante.
Sofrer,
pois não há quem se lembre,
além do agente,
do que ele fez em prol de toda gente,
construindo um presente
que dele prescinde e se ressente.
Arder,
pela força do grito aprisionado,
que jaz quedado,
ante a ignorância,
mesquinha falência moral,
que se impõe,
malgrado o desejo de ver realizado,
cumprido, completado, o plano...
Morrer,
ainda que tardiamente,
amado, cuspido, escarrado, odiado.
De peito erguido,
cabelo ao vento elevado,
tempo e espaço curvado a ver,
tão plena obra,
num só encarnado.
Fluir,
de um plano a outro,
levar de um o que o outro carece,
com equilíbrio e majestade,
ponto vulgar, celebridade.
Não mais agora, nem tarde.
Sempre no ocaso, à tarde.
Ser,
e que o seja além do existir,
que enseja o desejo no ser,
que se arrasta insosso,
sem ânimo ou tormento que o faça sentir.
Que anseie transcender o próprio ser,
buscando apenas ser, tudo.
terça-feira, 23 de maio de 2006
Conhecimento X Sabedoria
Certa vez um bom amigo e eu estávamos postados às margens do Rio Cuiabá com nossas varas de fibra de carbono, nossos molinetes e iscas artificiais regalando-nos do prazer de desfrutar um dia de pesca esportiva junto à natureza exuberante daquela região.
Mal havíamos nos preparado para o desfrute e diante de nós passou uma tosca embarcação de madeira cunhada a machadinha na tora de uma árvore. À moda indígena tinha um velho e mulato caboclo conduzindo a embarcação com um remo entalhado.
Mesmo muito magro o peso do velho impunha ao barco um desnível que na linha d’água de modo que a pequena criança postada à proa parecia mais um adorno do que um tripulante.
- Diiia! – cumprimentou o velho com voz contida e sotaque carregado.
- BOM DIA! – respondemos quase em uníssono com nossas vozes carregadas de surpresa de ver alguém com disposição suficiente para arriscar uma manhã tão linda de domingo numa canoa lenta e insegura.
Quando pouco depois o barco sumiu por detrás da vegetação ribeirinha olhamo-nos com um misto de pena e desprezo por aquela criatura sem cultura que almejava enfrentar a natureza munida apenas de parcos e rústicos equipamentos.
Após algum tempo nossa euforia matinal já estava amortecida pelo sol que então já se fazia alto. Nosso acervo de piadas tolas esvaíra-se na velocidade inversa com que aumentava nosso “estoque” de peixes que agora contabilizava a irrisória quantia de um raquítico "piau" e um pequeno "lambari".
Neste momento, desta vez descendo o rio, novamente a canoa passou. Sem surpresa pude reparar melhor. O homem não era assim tão velho. Marcado pela dura lida no campo sim, mas a pele vincada era mais uma mostra de que sua aparente magreza era mais um corpo definido e modelado pelo incessante trabalho físico do que pela falta de uma dieta mais rica.
O jovem à frente do barco era sem dúvida muito jovem, mas trazia no rosto a expressão de quem já conseguia enxergar o horizonte não mais com os olhos sonhadores de uma criança, mas com lucidez e esperança.
Meu amigo não pode conter sua curiosidade e perguntou: - E então, como foi a pescaria?
- Mal. - respondeu o barqueiro com certo tom de desânimo na voz – Só pegamos um "Pintado" e dois "Pacus".
Não dissemos mais nenhuma palavra. Ficamos apenas olhando o barco sumir na curva do rio. E quando nos fitamos novamente só fomos capazes de rir abundantemente da ironia da situação. Recolhemos nosso orgulho esparramado pelo chão junto com as tralhas de pesca e fomos nos dedicar a tarefas mais afeitas a nossa competência, quer seja, beber umas cervejas, comer um churrasco e rir de nosso inútil conhecimento diante daquela demonstração de sabedoria.
Mal havíamos nos preparado para o desfrute e diante de nós passou uma tosca embarcação de madeira cunhada a machadinha na tora de uma árvore. À moda indígena tinha um velho e mulato caboclo conduzindo a embarcação com um remo entalhado.
Mesmo muito magro o peso do velho impunha ao barco um desnível que na linha d’água de modo que a pequena criança postada à proa parecia mais um adorno do que um tripulante.
- Diiia! – cumprimentou o velho com voz contida e sotaque carregado.
- BOM DIA! – respondemos quase em uníssono com nossas vozes carregadas de surpresa de ver alguém com disposição suficiente para arriscar uma manhã tão linda de domingo numa canoa lenta e insegura.
Quando pouco depois o barco sumiu por detrás da vegetação ribeirinha olhamo-nos com um misto de pena e desprezo por aquela criatura sem cultura que almejava enfrentar a natureza munida apenas de parcos e rústicos equipamentos.
Após algum tempo nossa euforia matinal já estava amortecida pelo sol que então já se fazia alto. Nosso acervo de piadas tolas esvaíra-se na velocidade inversa com que aumentava nosso “estoque” de peixes que agora contabilizava a irrisória quantia de um raquítico "piau" e um pequeno "lambari".
Neste momento, desta vez descendo o rio, novamente a canoa passou. Sem surpresa pude reparar melhor. O homem não era assim tão velho. Marcado pela dura lida no campo sim, mas a pele vincada era mais uma mostra de que sua aparente magreza era mais um corpo definido e modelado pelo incessante trabalho físico do que pela falta de uma dieta mais rica.
O jovem à frente do barco era sem dúvida muito jovem, mas trazia no rosto a expressão de quem já conseguia enxergar o horizonte não mais com os olhos sonhadores de uma criança, mas com lucidez e esperança.
Meu amigo não pode conter sua curiosidade e perguntou: - E então, como foi a pescaria?
- Mal. - respondeu o barqueiro com certo tom de desânimo na voz – Só pegamos um "Pintado" e dois "Pacus".
Não dissemos mais nenhuma palavra. Ficamos apenas olhando o barco sumir na curva do rio. E quando nos fitamos novamente só fomos capazes de rir abundantemente da ironia da situação. Recolhemos nosso orgulho esparramado pelo chão junto com as tralhas de pesca e fomos nos dedicar a tarefas mais afeitas a nossa competência, quer seja, beber umas cervejas, comer um churrasco e rir de nosso inútil conhecimento diante daquela demonstração de sabedoria.
quarta-feira, 19 de abril de 2006
A Mulher...
MarceloM
1998
Quem poderia escutar o coração da mulher
e compreender toda sua complexidade?
Quem poderia descrevê-la com precisão?
Como a terra que tudo nutre e tudo têm,
a mulher é a semente de todas as coisas.
Tudo deriva da mulher e tudo a contêm.
Como uma rocha ela se mantém sólida
e inabalável diante das adversidades
e ainda assim se deixa moldar pelo vento suave
que lhe esculpe formas sempre mais belas.
Ela é como a árvore que nos abriga com sua sombra fresca.
Que nos protege das tempestades
e nos alimenta com seus frutos.
Como uma pequena fonte de água,
brota pequena em meio às pedras
e vai crescendo, mansa e serenamente...
avolumando-se, deixando marcas e espalhando vida por onde passa
até tornar-se grande e majestosa como um rio.
E como o mar, profundo, imenso e soberano
ela se nutre sem preconceito de todas as fontes
aumentando sua riqueza interior.
Reunindo em si mesma tudo que há no mundo,
todas as contradições,
torna-se o próprio alimento da vida
e a fonte de toda existência.
A mulher é luz
e como o sol ilumina nosso caminho,
aquece nosso corpo e resplandece nossa alma.
A mulher é infinita como o universo, enigmática.
Repleta de mistérios e segredos
que atiçam nossa imaginação e nossas fantasias.
Como descrever a mulher?
Há tanto contido numa mulher
e tantas em uma...
A mulher é amor, carinho, afeto, conforto e proteção.
Ela é coragem, determinação, fúria, perdão e compreensão.
É também serenidade, esperança, piedade e compaixão.
A mulher é vida.
Olhe com atenção e respeito esta mulher.
Você está olhando a mais perfeita expressão de Deus.
1998
Quem poderia escutar o coração da mulher
e compreender toda sua complexidade?
Quem poderia descrevê-la com precisão?
Como a terra que tudo nutre e tudo têm,
a mulher é a semente de todas as coisas.
Tudo deriva da mulher e tudo a contêm.
Como uma rocha ela se mantém sólida
e inabalável diante das adversidades
e ainda assim se deixa moldar pelo vento suave
que lhe esculpe formas sempre mais belas.
Ela é como a árvore que nos abriga com sua sombra fresca.
Que nos protege das tempestades
e nos alimenta com seus frutos.
Como uma pequena fonte de água,
brota pequena em meio às pedras
e vai crescendo, mansa e serenamente...
avolumando-se, deixando marcas e espalhando vida por onde passa
até tornar-se grande e majestosa como um rio.
E como o mar, profundo, imenso e soberano
ela se nutre sem preconceito de todas as fontes
aumentando sua riqueza interior.
Reunindo em si mesma tudo que há no mundo,
todas as contradições,
torna-se o próprio alimento da vida
e a fonte de toda existência.
A mulher é luz
e como o sol ilumina nosso caminho,
aquece nosso corpo e resplandece nossa alma.
A mulher é infinita como o universo, enigmática.
Repleta de mistérios e segredos
que atiçam nossa imaginação e nossas fantasias.
Como descrever a mulher?
Há tanto contido numa mulher
e tantas em uma...
A mulher é amor, carinho, afeto, conforto e proteção.
Ela é coragem, determinação, fúria, perdão e compreensão.
É também serenidade, esperança, piedade e compaixão.
A mulher é vida.
Olhe com atenção e respeito esta mulher.
Você está olhando a mais perfeita expressão de Deus.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006
Adeus G'Kar...
Com pesar soube agora que Andreas Katsulas, ator que encarnou papéis inesquecíveis no cinema e na TV faleceu no último dia 13 após uma longa luta contra o câncer.
Aos 59 anos deixou uma carreira pontuada de personagens complexos e enigmáticos. Mas nenhum talvez tão fascinante quanto o embaixador Narn G'Kar da série Babylon5.
Descanse na Luz...
Fica uma poema escrito de sopetão em sua memória.
Sua presença ainda em minha mente,
os passos ecoando distantes;
percebo que você se faz ausente
e as pegadas ainda tão quentes...
E porque nos mostrou o caminho
segue em frente bom amigo
como a preparar o ninho
que a todos servirá de abrigo.
Você fez o que podia
deixou um presente
que nos mudou para sempre.
Fique em paz
agora é comigo,
o resto eu consigo.
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