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quinta-feira, 12 de março de 2009

Vitória da coerência


Quinta feira, 12 de março de 2009. 21h45

O presidente do Superior Tribunal Eleitoral anuncia que, por unanimidade, os ministros decidem manter o mandato do deputado Clodovil Ernani.
A ação, impetrada pelo seu antigo partido, exigia a devolução do mandato sob a alegação objetiva de que o mandato pertence ao partido.
Porque o TSE não devolveu o mandato ao partido?
Simples, a votação alcançada pelo partido confundia-se com a obtida pelo deputado. Clodovil foi o deputado mais votado de seu partido.
Porque isso é significativo?
Porque um deputado, reputado folclórico, ao manter seu mandato merece atenção?
Alguns diriam que por ser uma personalidade artística ele foi bajulado pelo Tribunal.
Outros defenderão que, por sua velada militância em prol da liberdade sexual, ele foi agraciado com uma sutil decisão politicamente correta.
Haverão os que afirmarão que se trata apenas de marketing institucional do supremo.
Mas, com esforço sincero, todos descobrirão que a decisão é resultado da coerência das ações do deputado com as idéias do candidato.
Todos saberão que ele manteve seu mandato simplesmente porque ele não vendeu seus votos e não leiloou sua atuação na casa do povo.
Quem conhece as idéias da personagem Clodovil já sabia que não podia ser de outro modo.
Ele sempre acusou, denunciou, criticou, enfim, botou o dedo na ferida de todos os males de nossa sociedade.
Só não ouviu quem não quis.
Agora, como deputado, continuou a fazer e falar como sempre fez.
Seu partido, que só queria os votos que ele podia conseguir, como de fato conseguiu, não gostou da sua atuação correta e o boicotou.
Clodovil saiu e seguiu em frente.
Parabéns ao TSE pela decisão em favor da atuação justa, correta e honesta de políticos com a estatura moral de Clodovil.
Se mais Homens de coragem como este houvessem seriam menores as notícias deletérias de nossas hostes políticas.
Seriam menos frequentes as decepções de nosso combalido povo com nossos representantes políticos.
Parabéns Clodovil.
Prossiga, não se cale.
O Brasil precisa. O brasileiro também.

domingo, 17 de agosto de 2008

Um País sem Heróis


Ouvindo o ufanismo de Galvão Bueno, o telespectador desavisado pode ser levado a acreditar que o Brasil é uma potência injustiçada no esporte e uma fábrica de heróis olímpicos.

Nada mais equivocado.

O olhar solitário e reflexivo de Marily do Santos, 51ª colocada na maratona, diz muito mais de nosso país do que as lágrimas incontidas do medalhista do ouro na natação César Cielo.

É o olhar de um país triste e inseguro. Que diante de tantas dificuldades e desafios, tem dificuldade em acreditar que chegou tão longe e que não sabe ao certo o que esperar do futuro.

O Brasil não investe em esportes. Dizer que o faz é mascarar a realidade.

Prova disso é que os investimentos em ginástica olímpica não se reverteram em medalhas. Os resultados de nossas atletas nesta modalidade estão longe de serem motivo de deboche, mas revelam que mesmo quando há investimento eles são insuficientes ou mal empregados.

O desempenho dos atletas é muito mais resultado da determinação e esforço individual, mesclado com uma dose considerável de sorte e casualidade.

Estes atletas são heróis, mais ou menos anônimos, de um país em que as aulas de educação física são medíocres e não disciplinam seus jovens para a prática do esporte.

Inexistem investimentos em esportes de qualquer modalidade. Basta notar que, no país do futebol, os clubes de cidades pequenas estão à míngua por falta de investimento. Se empresas locais não se interessam por investir em times de futebol de suas próprias cidades, quem acredita que haverá investimentos para esportes sem espaço na mídia diária e cujas provas duram segundos ou no máximo minutos?

Talvez eu esteja enganado e o Brasil seja realmente um celeiro de heróis olímpicos.

Pois conseguir participar de uma competição de nível internacional e ainda se destacar entre tantos atletas de nível profissional, depois de passar quatro anos exercendo funções como cortador de cana, motorista de caminhão, doméstica, gari e tantas outras profissões não qualificadas, e ainda competir em nível olímpico com atletas garimpados e lapidados entre milhares de talentos é realmente uma tarefa hercúlea.

Mas nosso Brasil é o país do futuro! E mesmo depois do déficit de um malfadado Pan-americano. Depois de assumir o peso de organizar uma copa do mundo do futebol (não se engane, é mais fácil e muito mais barato que organizar uma olimpíada). Depois de uma campanha pífia (como representatividade do potencial esportivo nacional e não da coragem dos atletas brasileiros), ainda querem assumir o compromisso de sediar uma Olimpíada.

Então sejamos sensatos e trabalhemos para o futuro. Mas para um futuro possível.

Se começarmos agora a investir de fato no esporte, em doze anos seremos capazes de realizar algo parecido com a façanha que a China realizou com seus atletas. Quem sabe então este país possa conquistar umas 30 medalhas.

Enquanto não tivermos competições estudantis regulares. Enquanto não forjarmos campeões esportivos em abundância. Enquanto não investirmos o suficiente para que nossos atletas possam treinar aqui sem precisar migrar para outros países.

Enquanto isso, e quem sabe quanto mais não for feito, sejamos humildes e reconheçamos, estes homens e mulheres que vestem verde e amarelo são heróis!

Mas são heróis apesar do Brasil.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Saindo bem na foto

Causou comoção a história de Ubirajara Gomes da Silva, morador de rua do Recife que aos 27 anos foi convocado para trabalhar no Banco do Brasil. (leia a matéria na íntegra)

Aprovado na 136ª posição ele assumirá o cargo de escriturário com salário inicial de R$ 942,90.

Uma conquista que merece os nossos mais efusivos aplausos.

Histórias como estas dão ao concurso público o caráter de universalidade que garante igualdade de condições a todos os cidadãos e o direito ao seu progresso em todas as frentes.

Justamente por isso, ele foi alçado à condição de panacéia para os males que assolavam o ingresso no serviço público e como instrumento contra a ineficiência do estado.

Definitivamente ele não é.

Sua proliferação indiscriminada gerou a indústria do concurso público que se retro-alimenta de candidatos em busca por cargos públicos numa espiral de cargos mais nobres e salários maiores.

Um concurso público é como uma fotografia. Reunimos aquele enorme grupo de pessoas heterogêneas, pedimos que se espremam para caber na foto. Nos afastamos e "click".

O que o retrato revela são pessoas vistas à distância, despidas de sua essência humana. Estáticas. Algumas de olhos fechados, boca aberta, cara assustada. Outros, bem treinados, exibem sorrisos plásticos e inexpressivos. Todos, sem exceção, caricaturas de si mesmos.

Tanto quanto uma fotografia, por melhor que seja, não retrata a essência de uma pessoa, um concurso não tem também este condão.

Talvez por isso os "reality shows" façam tanto sucesso atualmente enquanto programas que cobrem concursos de beleza, por exemplo, estejam em decadência. Os primeiros acompanham a "trajetória" do candidato, suas máscaras caem, suas artimanhas aparecem e o público consegue escolher o melhor, ou no caso de tais programas, o "menos pior". Concursos de beleza são tão superficiais quanto a maquiagem de suas candidatas. Não permitem auscultar o íntimo dos participantes, expor sua moral, conhecer suas idéias, identificar suas potencialidades.

O concurso, como de resto qualquer outro teste, possui uma eficiência muito limitada na avaliação das características gerais do candidato. Decorre daí que ele deve ser apenas um dos instrumentos utilizados no processo de seleção do candidato.

Outros são os testes psicotécnicos, de provas e títulos, currículo, avaliação psiquiátrica e tantos mais quantos forem necessários para conferir à escolha o melhor caráter seletivo.

O processo seletivo das organizações públicas ignora a necessidade de avaliar no tempo o desempenho e a qualificação do candidato.

É preciso abandonar a fotografia e adotar o cinema. Ou seja, é preciso adotar no âmbito do serviço público o verdadeiro conceito de carreira funcional em lugar da multiplicidade de cargos estanques.

Carreiras pressupõem que o servidor ao longo de sua jornada de progresso funcional adquira conhecimento, experiência, aprimore talentos, desenvolva qualidades e responsabilidades, através de um processo de formação continuada aliada a processos de avaliação contínua.

Carreiras garantem que este progresso de qualificação habilite o servidor a ocupar cargos de maior responsabilidade, o desempenho de atividades mais complexas, que exigem melhores qualidades técnicas e profissionais, numa equação diretamente proporcional à remuneração e comprometimento ético com a instituição.

É injusto exigir que o servidor público já aprovado em concurso público tenha que se submeter a novo concurso para auferir progressos em sua carreira funcional, desprezando os anos de serviço prestado no âmbito de sua organização.

Equivocadamente, muitas organizações sindicais e associações de servidores combatem esta idéia. Temem que a adoção de carreiras represente um retrocesso ao "barnabelismo". Argumentam também que o instituto da avaliação de desempenho seria facilmente empregado como instrumento de opressão e perseguição funcional.

A própria administração pública aventa o risco de que o funcionalismo público se torne lento e ineficiente.

Todos estes argumentos decorrem das práticas e comportamentos comuns à administração e ao funcionalismo pública do milênio passado. São argumentos eivados de profissionalismo e responsabilidade administrativa.

Modernamente, a administração busca maior eficiência e autonomia ao mesmo passo em que o servidor busca competitividade e valorização. Não são falácias acadêmicas, mas decorrências de uma sociedade alicerçada na diversidade de oportunidades, produtos e informações.

A velocidade com que os fatos se sucedem é diretamente proporcional à volatidade dos valores de instituições, práticas e técnicas administrativas.

Inseridas nesta era do conhecimento e da informação, as pessoas estão acostumadas e até ansiosas por formação e avaliação constante. Sentem que isto as torna mais fortes e adaptadas a um mundo de constantes transformações.

Até que se encontre uma forma ainda mais eficiente para o ingresso no serviço público, é justo que se utilize o instrumento do concurso público.

Mas restringir a apenas este instrumento o preenchimento das vagas de maior responsabilidade é, no mínimo, temerário.

Opor-se é perpetuar as condições para que organizações e pessoas concebidas e preparadas especificamente para "sair bem na foto" ocupem cargos e funções que podem comprometer a integridade do Estado.

É valorizar pessoas sem interesse no seu próprio aperfeiçoamento e na construção de um estado forte. Pessoas que usam, mas não servem ao Estado.

É desvalorizar servidores que dedicam seus melhores esforços para a construção de um Estado forte e de um funcionalismo eficiente servindo aos mais nobres interesses da Nação.

sábado, 21 de junho de 2008

Quantos mais?


O espetacular acidente ocorrido na manhã de ontem (dia 21 de junho) na esquina da Av. Brasil com a Rua Marechal Cândido Rondon, é apenas mais um capítulo da novela que é o descaso da administração pública com o trânsito de nossa cidade.
É o tipo de acidente que confirma aquilo que este articulista defende a mais de cinco anos, a transformação das ruas Marechal Cândido Rondon e Rua Visconde de Guarapuava em vias de mão única.
Poucos milhares de reais são necessários para realizar estas mudanças, e que seriam gastos principalmente em divulgação, sinalização e orientação do trânsito.
Bem menos do que o necessário para a reforma e iluminação de praças.
Já existe um projeto de renovação viário na prefeitura. Estas mudanças já foram até mesmo anunciadas. O que ninguém consegue entender é como ainda não deixaram o campo das idéias e passaram para o campo da ação.
Justificar a necessidade destas mudanças é fácil. Quem já passou pela Cândido Rondon nos horário de rush sabe como é tenso e demorado cruzar as ruas Paraná, Brasil e Rio Grande do Sul.
Várias páginas podem ser escritas para justificá-las. Difícil é justificar quanto ainda nossa população terá que pagar em danos materiais e morais até que nossos administradores públicos tomem alguma atitude concreta.

terça-feira, 17 de junho de 2008

IGUALDADE


Eu não sou racista!
Mas quando criam mecanismos para me desqualificar pela cor de minha pele ou do meu cabelo,
estão pedindo para que eu seja racista.

Eu não sou injusto!
Mas quando querem que o mais qualificado seja prejudicado para que os crimes do passado sejam esquecidos,
estão querendo que eu seja injusto!

Eu não sou aproveitador!
Mas quando criam regras que restringem as oportunidades de trabalho ou estudo que eu possa ter,
estão pedindo para que eu seja um aproveitador.

Eu não sou xenófobo!
Mas quando limitam minha liberdade simplesmente porque venho deste ou daquele lugar,
estão pedindo para que eu seja xenófobo.

Eu não discrimino!
Mas quando sou discriminado por seguir qualquer orientação político-doutrinária, estão pedindo para que discrimine.

Eu não sou fundamentalista!
Mas quando me agridem porque ouso questionar idéias dominantes baseadas apenas na tradição,
estão pedindo que eu seja fundamentalista.

Eu não sou discriminador!
Mas quando me agridem porque tenho qualquer pensamento ou conduta diferente,
estão pedindo que eu discrimine.

Eu não sou violento!
Mas quando invadem lugares que considero sagrados e destroem objetos que me são valiosos apenas porque são diferentes,
estão pedindo que eu seja violento.

Eu não tenho preconceito!
Mas quando tentam me inferiorizar ou excluir por qualquer motivo que me faz exclusivo,
estão pedindo que eu tenha preconceito.

Eu não sou mesquinho!
Mas quando querem menosprezar o investimento que faço por uma educação de qualidade diferenciada,
estão pedindo para que eu seja mesquinho.

Eu sou Brasileiro!
Tenho no sangue a mineirice mestiça combinada à latinidade européia.
Encaro o amanhã com esperança e otimismo
e caminho para ele com minhas próprias pernas.

Não sou melhor que ninguém,
mas não aceito rótulos,
nem que me digam o que posso ou não conquistar.

Recuso chancelas para as minhas lutas,
pois não aceitarei que questionem a validade de minhas vitórias.

Mas exijo igualdade!
Quero condições iguais para todos,
direitos e oportunidades verdadeiras.

Então não menosprezem o que luto para conquistar,
não me roubem nem relevem o que empenho aos meus filhos.
Pois fazê-lo é me negar o respeito que presto a todos.
É ferir minha honra e me chamar para lutar.

E quando as dores da jornada me fazem fraquejar,
não peço que me carreguem,
apenas que me ajudem a levantar.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Funciona assim...

Vai transar?
O governo dá camisinha.

Já transou?
O governo dá a pílula do dia seguinte.

Engravidou?
O governo dá o salário - maternidade e ainda 180 dias sem fazer nada.

O filho cresceu?
O governo dá a Bolsa Família.

Tá desempregado?
O governo dá Bolsa Desemprego.

Vai prestar vestibular?
O governo dá a Bolsa Cota.

Não tem terra?
O governo dá o "Bolsa Invasão".

Agora, experimente trabalhar pra ver o que é que te acontece!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Até quando esperar...


O triste acidente ocorrido em Foz do Iguaçu com o Analista-Tributário Celso Martines, o proprietário de uma transportadora e um carregador paraguaio, sucinta uma triste discussão.

Se aplicadas as regras de segurança propostas pelo Inmetro na internação de mercadorias no mercado nacional, produtos com a duvidosa qualidade dos isqueiros explosivos jamais seriam comercializados em território nacional.

Entretanto, aportam em nosso país, circulam livremente em nossas estradas e deixam nossa aduana para novamente retornar pelas vias nebulosas do descaminho e do contrabando. E nesse curso vão pontuando seu rastro de pequenas e grandes tragédias como esta que ganhou as manchetes dos jornais.

Se fossem apenas isqueiros...

Crianças, na maioria desafortunadas e sem acesso a produtos de melhor qualidade, colocam em risco sua saúde e até suas vidas por momentos de alegria infantil manipulando brinquedos confeccionados com materiais contaminados e peças de qualidade duvidosa e segurança abaixo do tolerável.

Este acidente deixa patente que é necessário que nosso governo tome atitudes que impeçam que nosso território, nossos servidores públicos e nossos cidadãos sejam expostos aos riscos representados por produtos que visam tão somente saciar a sanha ensandecida por lucros de pessoas imorais que fabricam e comercializam estes produtos.

Muitos destes, se não podem ser enquadrados como produtos piratas, certamente poderiam ser reprovados por desrespeito a condições mínimas de segurança.

A adoção de políticas restritivas à baixa qualidade e segurança para a internação, mesmo que para translado, contribuiria sobremaneira para a redução dos riscos à segurança de nossa população e o aumento da qualidade dos produtos que cedo ou tarde abastecerão as barraquinhas que infestam as ruas de nossas cidades e abastecem nossa população mais desassistida.

Esta tragédia, como tantas, vem sendo anunciada por pequenos incidentes que, analisados sob a perspectiva histórica nos permite imaginar que ela poderia ser evitada.

Até quando esperar que problemas conhecidos sejam tratados antes que se convertam em tragédias?

Até quando esperar que transtornos sejam removidos antes que provoquem traumas?

Até quando esperar?

Suprema presunção imaginar que podemos evitar todos os acidentes, que podemos superar sem traumas todos os incidentes, mas forçoso nos é questionar: - O que está sendo feito para evitá-los.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ih, Taí. BUH!


Então o Brasil construi Itaipu.
Pagou o material, a mão de obra e os juros internacionais.
Treinou mão-de-obra para operar, empregou Brasileiros e Paraguaios.
Deu metade da usina e da energia produzida para o país vizinho.
E ainda compra todo o excedende de energia não produzida gerando divisar para "los hermanos".

E eles acham que não é justo?

Milhares de Brasileiros:
COMPRAM terras paraguaias,
PLANTAM em terras paraguaias,
CONTRATAM mão-de-obra paraguaia,
PRODUZEM em terras ociosas paraguaias,
GERAM divisas para a nação paraguaia,

E eles acham que não é justo?

Agora o Brasil vai construir outra ponte em Foz do Iguaçu ligando o Brasil ao Paraguai.
Vai pagar tudo para facilitar o transporte de mercadoria Chinesa que chega no porto de Paranaguá, atravessa o Paraná e desemboca no Paraguai onde milhões de sacoleiros vão se abastecer e deixar o dinheiro brasileiro na mão dos exploradores do povo paraguaio.

E o que eles vão fazer? Cobrar pedágio?

Não precisa explicar, eu só queria entender!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Chaves não COLA


O caudilho Hugo Chaves, numa atitude no mínimo ambígua ajudou a Fábrica de Xarope da Coca-Cola em Manaus a não paralisar sua produção diante de uma greve de motoristas venezuelanos.

Vai ver que o pequeno-grande opressor do povo venezuelano misturou COCA com a cor vermelha da marca norte-americana.

É bom não esquecer também: caminhões rodando gastam petróleo. E petróleo é dinheiro no caixa do bufão.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Mo.S.Ca.


Nestes tempos em que se multiplicam o número de ONG’s e Associações dos mais diversos fins, decidi fundar um movimento também.

É o Mo.S.Ca. - Movimento dos Sem Calçada.

Não temos sede, diretoria ou corpo social. Também não temos hierarquia e estatuto.

O Mo.S.Ca. não exige filiação, taxa de inscrição e não cobra anuidade. Todos podem participar. E o compromisso nem é muito grande. Basta atitude.

O movimento se propõe a espalhar a idéia, absurda para muitos, de que calçadas (aquele espaço pavimentado entre a rua e o muro das casas) é para ser usado para o trânsito de pedestres.

Algumas sugestões que exigem atitude são aqui sugeridas aos membros do Mo.S.Ca.

Primeiramente cada um precisa garantir que suas calçadas sejam razoavelmente planas, livres de degraus, obstáculos e entulhos.

Então, toda vez que você encontrar alguém caminhando tranqüilamente pela rua, com aquela fleuma de quem vai do banheiro para o quarto, pergunte-lhe porque ela não anda na calçada. Se a resposta for (muito comum) de que não há calçada ou que ela está intransitável, pergunte porque ela não pede ao dono que faça ou conserte a calçada. Se ela responder que não conhece o dono, sugira que ela ligue para a Ouvidoria da prefeitura e denuncie a falta de calçamento.

Algumas ruas são excepcionalmente privilegiadas com calçadas repletas de obstáculos que parecem cuidadosamente planejados para a prática do montanhismo. Algumas, pelo preparo físico que exigem, bem poderiam fazer parte do circuito profissional de trekking.

Além do óbvio impedimento ao tráfego dos cadeirantes e dos carrinhos de bebês, tais calçadas também representam um risco à saúde e à integridade física de todos os pedestres.

A calçada, como tese sociológica, é o espaço de transição entre o público e o privado. Pertence aos domínios do terreno privado e, portanto, sua manutenção está a cargo do proprietário do imóvel, mas é um espaço de uso público.

Daí a origem do termo técnico que designa este espaço: Passeio Público.

O descaso com estes espaços em nossa cidade denotam a falta de responsabilidade e compromisso do cidadão para com a coisa pública. O que é público é de todos, mas freqüentemente se confunde o que “é de todos” com o que “é de ninguém”.

Ao ser consultado, o poder público municipal esquiva-se alegando que a responsabilidade pelas calçadas é do proprietário do imóvel.

Está correto, mas não é menos correto que poder público possui vários imóveis sem calçamento. São parques municipais, terrenos baldios, fundos de vale, o horto florestal e o Ecolixo ambos na rua Manaus. Os lotes próximos à prefeitura. E muitos outros.

A falta de calçada em tantos terrenos públicos é um péssimo exemplo à população.

Segue daí o impedimento moral, mas não legal, de fiscalizar os imóveis particulares que não tem calçada ou que estão com suas calçadas arruinadas.

Não é difícil fazê-lo. Basta usar os mesmos servidores que fiscalizam terrenos com mato e entulho. Basta usar a denúncia do cidadão pelo 156.

Imagine a revolução.

Não mais ver aquele monte de jovens andando pelas ruas a caminho da escola. Não mais pedestres desviando de carros apressados e calçadas traiçoeiras.

Imagine, todos os imóveis com calçadas e muretas.

Imagine uma cidade limpa, bem cuidada, quiçá bonita como aquelas que gostamos de visitar em férias e não cansamos de comentar com amigos dizendo que tinham a aparência bucólica de cidades européias com calçadas limpas e praças floridas.

São cidades exatamente iguais à nossa. A diferença está no cuidado que seu moradores tem com suas casas, suas calçadas e suas ruas.

Cuidado este que demonstra o respeito do cidadão pela coisa pública e que garante que ele não vai escolher como representantes políticos que não tenham este mesmo respeito e responsabilidade.

É, seria uma revolução.

Se queremos uma cidade assim, precisamos fazer esta revolução.

Revolução que começa como uma incômoda Mo.S.Ca. na sopa.

Já dizia Raul Seixas que não adianta ignorar, porque você mata uma, mas vem outra em seu lugar.

Então, já que a revolução tem que acontecer, porque não começar já?

sexta-feira, 9 de março de 2007

Roda do Preconceito

Itália, Alemanha, Áustria e Suíça. Nações de primeiro mundo. Ricas e prósperas.

Carregam em comum também uma nova (re)invenção, a “roda dos enjeitados”. Trata-se de uma invenção da igreja católica que remonta ao século XVII e que consiste numa pequena porta colocada em hospitais públicos pela qual os pais podem abandonar seus filhos sem serem identificados.

Analisando-se rapidamente podemos identificar uma atitude de caridade para com os bebês rejeitados por suas mães. É fácil acreditar que o senso de fraternidade é a mola propulsora das ações organizadas para evitar o sofrimento de inocentes punidos pela ignorância de pais inescrupulosos.

É uma solução muito melhor do que ver mães abandonando seus filhos em latas de lixo, casinhas de cachorro ou sacos plásticos a boiar em lagoas.

Mas o que não fica claro é que estes países, os primeiros a adotar medidas tão solidárias, estão ficando com suas populações cada vez mais velhas. São nações em que o privilégio de seus aposentados depende de uma juventude produtiva cada vez mais escassa.

Os imigrantes cumprem importante papel como motores desta economia e também como provedores desta geração futura de trabalhadores.

Porque são eles que abandonam seus filhos nestes hospitais?

A resposta fácil é dizer que o fazem por ignorância ou pobreza. Entretanto, a maioria segue uma lógica muito mais sórdida e nefasta.

Porque a sociedade e o estado não se dedicam a promover a assistência financeira e social necessária para que estas crianças sejam criadas por seus pais? Afinal, gasta-se o mesmo, ou até mais, com as crianças abandonadas.

A resposta é que estas nações “desenvolvidas” querem os filhos dos imigrantes, mas não desejam seus pais.

Querem filhos que poderão no futuro ser chamados de “filhos da pátria” apesar de suas peles negras, seus olhos puxados ou seus narizes aduncos.

São filhos que receberão a melhor educação e a assistência que o estado de bem estar social pode proporcionar a uma juventude. Mas que não terão nenhum laço cultural, racial, ou ideológico com seus progenitores biológicos. Enfim, não serão imigrantes. Não sairão às ruas clamando por igualdade entre os povos.

Não reivindicarão para seus pais imigrantes os mesmos privilégios dos cidadãos naturais.

Os pais que abandonam seus filhos sabem disso claramente. E têm plena convicção de que apenas sem estes laços eles poderão usufruir destas benesses.

E assim, todos continuam a alimentar de modo transverso a separação dos povos entre ricos e pobres. Afortunados ou não. Primeiro e demais mundos. Superiores e inferiores.

Apenas os mecanismos são mais sutis.

quinta-feira, 1 de março de 2007

A África é aqui!

Parece que às vezes o universo conspira contra nós para nos fazer refletir ...

Recentemente assisti ao filme Hotel Ruanda para logo em seguida assistir a Diamante de Sangue.

Creio que seja impossível a uma pessoa normal permanecer indiferente à dor e sofrimento retratados nestes filmes.

Hotel Ruanda relata fatos verídicos que transcorrem durante o conflito étnico entre Hutus e Tutsis que assolou Ruanda.

Diamante de Sangue é uma denúncia ao sofrimento que a exploração ilegal de diamantes, e de resto as demais riquezas daquele continente, impõe ao povo.

São muitos os males que historicamente afligem este sofrido continente. Em especial a África sub-saariana. Fome, miséria, discriminação racial, doença e ignorância institucional.

A eles soma-se um sofrimento ainda mais nefasto, porque poderia ser facilmente erradicado pela solidariedade e respeito ao próximo.

É a exploração física e a humilhação moral.

Não vem de hoje. Nem começou com os brancos imperialistas. Mas se alimenta do mesmo tipo de preconceito e ódio racial que historicamente alimenta os conflitos árabes.

Se antes os africanos eram capturados e vendidos como escravos agora se tornaram escravos do medo e da desesperança.

Parecia que a segunda grande guerra sepultaria de vez estes comportamentos deploráveis.

Parecia que a ciência, a tecnologia e o pensamento moderno libertariam de vez a alma humana destas mazelas.

Parecia...

Mas infelizmente, como erva daninha, eles insistem em continuar infestando o jardim de nosso paraíso capitalista.

Nós brasileiros nos consideramos afortunados. Não somos acometidos de tragédias naturais, pragas devastadoras e ainda estamos livres destas ocorrências desumanas que acometem outros povos.

Ledo engano.

Em São Paulo homossexuais são espancadas por grupos de jovens intolerantes com os mesmos requintes e crueldade que caracterizavam a ação de grupos nazistas.

No Rio uma criança é arrastada e morta com a mesma insensibilidade com que se cometeram atrocidades em Ruanda.

Em todas as cidades a ação de gangues afronta diretamente o poder das autoridades constituídas num claro sinal de caos institucional tal como se observa nas revoluções e conflitos africanos.

Para os países, ditos de primeiro mundo, a América Latina é o fim do mundo. O esconderijo perfeito para ladrões, malfeitores e desocupados de todo gênero.

A África então, está para lá do fim. Já não pertence a este mundo.

Olhando ao redor, acompanhando as notícias não dá para evitar se perguntar se a África não é aqui.

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

O ANALFABETO POLÍTICO

O pior analfabeto, é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tao burro, que se orgulha e estufa o peito, dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
(Texto do Dramaturgo alemão Brecht)

terça-feira, 30 de maio de 2006

À espera de um milagre...

"Não se pode vencer a escuridão com mais escuridão.
Não se pode vencer a violência com mais violência."
Martin Luther King

Não é preciso dizer muito mais a respeito da violência que prolifera nas grandes cidades, mas que em diferentes graus de intensidade está presente em nossas cidades, em nossos bairros.
Não tenho respostas prontas e creio que mesmo a maioria dos especialista não as têm, mas já é hora de dar um basta a este caos e descontrole.
Os problemas começam em nosso gritante desnível social, passa pela falta de cultura e educação de todos os extratos da população e esbarra na falta de vontade política de nossos governantes.
Como disse o poeta Caetano Veloso:

"Será que nunca faremos senão confirmar,
a incompetência da américa católica,
que sempre precisará de ridículos tiranos..."

Sejam elas do PT ou do PCC ou de qualquer partido, coligação ou entidade, basta de sermos escravos de sua falta de escrúpulos e de seu egoísmo.
Não pedimos muito, queremos apenas que nossas famílias possam viver e trabalhar em paz e segurança.
É pedir muito?

terça-feira, 28 de março de 2006

E o Brasil foi pro espaço...


Esperava por este momento há tantos anos que, agora que ele finalmente aconteceu, não consigo descrever a sensação de decepção que se apoderou de mim.
Talvez por saber que afinal, o primeiro brasileiro a deixar a atmosfera a bordo de uma nave espacial, só conseguiu fazê-lo por uma conjunção de fatores que por se repetirem com tanta freqüência só vêm confirmar nossa decepção com os rumos de nossa nação.
Deveríamos ter um assento no ônibus espacial graças à nossa colaboração como membro da elite tecnológica que está construindo a Estação Orbital Internacional. Mas não mostramos competência para construir as poucas peças que nos foram designadas e por isso, perdemos a vez.
Mas, nosso governo, sob a égide de lideranças de arguta visão e pensamento voltado para o futuro, antevendo os frutos que podem advir da participação do Brasil na corrida espacial não pode deixar que o “foguete” da história passe e COMPRA a passagem de nosso corajoso viajante das estrelas por U$10.000.000,00 (dez milhão de dólares).
Mas afinal o que são míseros milhãozinho quando é o futuro está em jogo?
Em tempo, o “futuro” em todos estes casos não vai além de 43 de outubro, onde a folhinha marca “ELEIÇÕES”.
Nada em investimento em tecnologia para que nossos cientistas possam fazer pesquisa.
Nada em investimento de mão-de-obra para melhorar salários de professores, pesquisadores, cientistas e técnicos, para que possam se dedicar em tempo integral a suas atividades.
Nada em sistemas de educação de base com eficácia duradoura na construção de uma geração livre do flagelo do analfabetismo, da falta de educação e cultura.
Nada para acabar com as desigualdades sociais doentias cujas conseqüências atormentam a população sob tantas formas.
Pois é, um brasileiro vai para o espaço, o país já foi faz tempo.
Quem sabe ele não encontra o Brasil por lá.

quinta-feira, 9 de março de 2006

Pragas Urbanas I

Viver em cidades tem suas vantagens. Saúde, educação, lazer, comunidade.

Mas elas vêm acompanhadas de algumas pragas que insistem em nos atormentar.

São aquelas pequenas coisas que, quer seja pelo nosso amortecimento social ou pela inépcia das autoridades constituídas, vão se tornando mais e mais corriqueiras e passam a compor o panorama de nossas vidas em sociedade.

Um desses nefastos exemplos está caracterizado na figura do “flanelinha”, o guardador de carros.

Costumo comparar esta figura do cenário metropolitano com o catador de papel.

O catador é um trabalhador – apesar de ser um autônomo da informalidade, o seu trabalho se constituí de uma efetiva prestação de serviço à comunidade mediante uma remuneração.

O “flanelinha” é um marginal que, se valendo da exploração ilegal de um espaço público, faz uso da extorsão para auferir lucros.

Que serviço ele presta? Que bem o seu trabalho têm para a comunidade?

Não significa que todos os que se dedicam a esta atividade ilegal sejam criminosos. Em absoluto. Muitos são os que por falta de opção passam a atuar à margem da legalidade com o justo propósito de sustentar suas famílias.

Mas o espaço das ruas onde estacionamos nossos veículos é público e portanto não pode ser objeto de exploração comercial sem regulamentação legal (e em muitos casos como o das zonas-azuis já são). Assim, ninguém pode nos cobrar adicional para estacionar o veículo.

Mas estes profissionais do ilícito asseguram que estão cobrando “proteção”. Proteção contra furtos, roubo, vandalismo. Ora, é exatamente esse comécio da proteção que tornou os mafiosos famosos. Atualmente muitos traficantes têm usado tal prática para manter cativo seus redutos.

E é porque já está arraigado na memória popular que quem não paga, “paga mais caro”, é que a extorsão funciona.

Pagamos porque temos medo de que sejam eles mesmos os maiores agressores de nosso patrimônio.

Não é raro ver pessoas, principalmente mulheres, serem intimidadas e moralmente agredidas por estes indivíduos que se acham no direito de exigir pagamento por sua extorsão.

Mas porque todos nós ficamos com a consciência culpada, afinal “eu ainda tenho carro enquanto o coitadinho nem emprego tem”, vamos aceitando e cedendo a esta coerção imoral.

Não se deve abandonar os excluídos à própria sorte, mas tolerar mesmo as pequenas infrações que se avolumam no dia-a-dia só nos torna incapazes de agir com o rigor e rapidez necessário quando infrações maiores são praticadas.

Basta de flanelinhas, basta de guardadores. Não dê esmolas.

Em vez disso lembre-se que você é um cidadão e, como tal, tem não apenas o direito mas o dever de exigir que as autoridades tomem providências para tornar as ruas seguras e oferecer assistência aos necessitados.

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Carnaval é cultura?

No Rio de Janeiro onde o samba compõe a identidade cultura do povo, sim! Afinal ali, o samba não é um produto de consumo sazonal, mas um ingrediente do dia-a-dia.
Em Recife e Olinda o carnaval não se vive o ano inteiro, mas assim como na Bahia ele é uma festa que têm história e características próprias.
São Paulo é metrópole. Não apenas brasileira, mas cosmopolita como só as grandes cidades sabem ser, aceita tudo e todos. Natural que um fenômeno cultural de massa encontre eco em sua sociedade. Não muito diferente do que acontece com o Hip Hop, por exemplo.
Mas e no resto do país?
O que se têm de aceitável, quando muito, é uma festa de salão. Regada a música carnavalesca e temperada com muito narcisismo e erotismo, mas ainda assim uma festa.
Em algumas cidades promovem-se desfiles de uma escola só. Tentativas na maioria das vezes vergonhosas que nem nos mais tresloucados desvarios podem se comparar ao que (inevitavelmente) compõe a programação das televisões nestes dias. E o que se vê pela TV ainda consegue ser melhor do que aqui se faz ao vivo.
Que dizer então dos administradores municipais que se prestam a financiar de forma irresponsável desfiles de uma escola só, apenas para parecer culturalmente descoladas.
Pura hipocrisia política e irresponsabilidade administrativa.
Afora uma ou outra cidade cujo histórico justifica a ocorrência do carnaval, as demais não poderiam jamais se permitir utilizar dinheiro público para financiar badernas disfarçadas de festas populares.
Já vi secretário de cultura (grifemo-lo em minúsculo mesmo) gastar dinheiro público comprando fantasia de carnaval usada sob o argumento de fomentar o desenvolvimento de uma cultura carnavalesca.
De onde vem uma idéia dessas?
Na cultura, o dinheiro público tem melhor emprego em outras ações. Preferencialmente vinculadas às riquezas culturas que se manifestam atemporalmente em todo o seio da sociedade.
Quando muito oferecer apoio logístico para a realização de eventos públicos, por que o são.
Em cidades sem tradição cultural carnavalesca, ele se torna evento folclórico e nada mais.
Então, vamos deixar que estas cidades sejam realmente refúgios para os que saem de cidades carnavalescas para buscar descanso longe de casa.
Se eles desejam fugir do verdadeiro carnaval que é celebrado com competência e qualidade em cidades como Rio, Recife e Salvador que não sejam punidos em encontrar aqui caricaturas mal e porcamente produzidas.
E nos deixem em paz também.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

O ovo e a galinha

Freqüentemente perdemos tempo com discussões que nos parecem revestidas de singular importância e que na mais das vezes são totalmente insignificantes.

Em outras, ignoramos as evidências por considerar a pergunta impertinente.

Um exemplo simples é a velha e surrada pergunta: “- O que veio primeiro: o ovo ou a galinha?”

Pois bem, ao contrário do que possa parecer, essa não é uma pergunta cuja resposta seja impertinente e inadequada como o senso comum costuma julgar. A resposta comum de que “tanto faz” ou ainda de que “isso ninguém nunca vai saber” demonstram apenas que mais do que respostas, falta aos homens a capacidade de fazer as perguntas certas.

É por isso que muitas vezes ficamos insatisfeitos com as respostas que encontramos. Não fomos capazes de fazer a pergunta certa.

Usando a questão galinácea para exemplificar, fica claro que o que temos é uma pergunta mal formulada.

Esta questão de relevante significado científico já foi a muito respondida.

Antes que algum animal de nossa vasta fauna viesse a se constituir dos elementos morfológicos que o distinguiriam naquilo que viemos a chamar de “galinha” já haviam muitos outros animais ovíparos na natureza. Os dinossauros se reproduziam através de ovos e os répteis o fazem ainda. E como naquele período da história não haviam galinhas, os ovos, como produto da natureza vieram a lume antes que a galinha o fizesse.

Se no entanto, tivéssemos perguntado: “- O que veio primeiro: o ovo de galinha ou a galinha?”, então teríamos uma resposta totalmente diferente pois para que um ovo pudesse ser chamado de “ovo de galinha” seria preciso que este animal já existisse na natureza e portanto, a galinha teria surgido primeiro.

Mas o propósito de discutir esse assunto, com o perdão do trocadilho, “penoso”; é nos fazer questionar sobre a necessidade de romper com o paradigma que nos faz insistir em pensar que algumas perguntas não devem ser feitas ou não merecem respostas.

Se tivermos em mente que perguntas claras e precisas sempre terão respostas objetivas, podemos argumentar que assim também os problemas podem ser distinguidos e resolvidos.

E isso vale para tudo na vida. Seja na hora de escolher os ingredientes para o jantar, o destino das férias, onde investir o orçamento do governo, como dirimir conflitos políticos supra-nacionais.

Porque têm gente passando fome quando tanto alimento é jogado fora?
Porque os preços dos carros sobem quando o dólar cai e sobem mais ainda quando o dólar dispara?
Porque políticos não vão para a cadeia?

Pensando bem, não nos faltam respostas, as perguntas é que estão erradas.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Trânsito caótico

Dentre os diversos problemas relacionados ao sistema viário da cidade de Cascavel/PR, um em especial chama a atenção pela sua abrangência.
Todos os motoristas sofrem com o fato de que existem poucos pontos de convergência no sentido norte-sul na região central.
Isso provoca um acúmulo de veículos nestas poucas ruas de livre cruzamento e que são:

No sentido Norte-Sul:
· Travessa Cristo Rei
· Rua Sete de setembro
· Rua Marechal Cândido Rondon

No sentido Sul-Norte:
· Rua Antonio Alves Massaneiro
· Rua Marechal Cândido Rondon

A pior delas é sem dúvida a rua Marechal Cândido Rondon que é a única agravada pelo fato de ter mão dupla.
Ao longo da extensão de todo o calçadão todas as ruas transversais são de mão única.
Minha sugestão é estender esta configuração até a Rua Marechal Cândido Rondon tornando esta e a Rua Visconde de Guarapuava ruas de mão única, com fluxo alternando às demais ruas.
A Rua Visconde de Guarapuava passaria a ter mão única no sentido Norte-Sul (da Av. Paraná –> R. Rio Grande do Sul).
A Rua Marechal Cândido Rondon passaria a ter mão única no sentido Sul-Norte (Rua Rio Grande do Sul –> Av. Paraná).
Se esta configuração fosse adotada teríamos um melhor fluxo de veículos na Rua Marechal, principalmente nos horários de maior pico.
Também desafogaríamos o fluxo na Rua 7 de Setembro que é utilizada por muitos motoristas que precisam locomover-se nesta região como rota de fuga do caos que é a Rua Marechal.
Para que uma solução completa fosse obtida seria recomendável ainda que na interseção da Avenida Brasil com a Rua Visconde de Guarapuava fosse removido o canteiro central que neste ponto é um estacionamento pouco utilizado, como pode se comprovar com uma inspeção do local.
Soluções como estas já foram adotadas em outras regiões da cidade.
Neste caso em particular além de contribuir com a melhoria do tráfego em toda a região central, haveria uma considerável melhoria no fluxo e organização do trânsito com conseqüências positivas para todos os usuários da Rua Marechal Cândido Rondon desde a Rua Santa Catarina até a Rua Presidente Kennedy.
Haveria também um melhor aproveitamento da Rua Visconde de Guarapuava que tem se prestado quase exclusivamente ao estacionamento de veículos de todos, inclusive de caminhões pesados como pode se aferir em seu trecho entre as ruas São Paulo e Rio Grande do Sul.
Esta sugestão já foi apresentada a administrações passadas, sem sucesso.
Agora que sabemos que ela chegou ao conhecimento das lideranças atuais, é esperar que nossas autoridades tomem providências.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Conspiração em curso...

Para quem, como eu, acredita que existem forças que transcendem nossa compreensão, posso afirmar que estou diante de uma grande conspiração em curso.
E porque chego a esta conclusão?
Conspirações são coisas que não são anunciadas, nem propagandeadas. Nem se percebem pelos grandes eventos. São na grande maioria das vezes percebidas sutilmente nos eventos subliminares que perspassam nosso cotidiano.
E nós, pessoas insignificantes na ordem maior das coisas, só as percebemos de modo transversal, quase acidental. E nunca, ou quase nunca compreendemos suas causas e motivações.
Mas a grande força que ordena o universo às vezes nos dá estas pistas e quando elas são tão fortes como agora não dá para ignorar.
Ontem, uma grande amiga me procurou com um DVD que segundo ela funcionava num aparelho e noutro não. Constatamos que era só problema de compatibilidade entre os equipamentos. O interessante é o que o filme em questão era ”O MAIS LONGO DOS DIAS”, épico em preto e branco com 178 minutos de duração e elenco estelar que aborda de maneira grandiloquente os eventos que antecederam e culminaram com a invasão aliada da Normandia em 6 de junho de 1944, evento que marcou o início da derrocada Nazista na segunda guerra mundial.
Até aí nada de mais, também gosto de filmes épicos e os clássicos dos anos 50 e 60 são os melhores.
Mas não deixa de ser curioso que também ontem à noite o canal a cabo HBO tenha exibido o filme “Ike: Countdown to D-Day”, que a partir da narrativa do Gen. Dwight D. Eisenhower descreve os eventos que ocorreram nos 90 dias que antecederam aquele dia fatídico.
Hoje, abro a revista Veja e leio a sinopse do segundo volume das memórias de Winston Churchill sobre suas experiências como Primeiro Ministro da Inglaterra durante a 2a Grande Guerra.
Coincidências tão absurdas e inconseqüentes podem ter alguma relevância?
Pode ser que não, mas tantas referências ocorrendo simultaneamente me levaram a refletir...
Hoje faltam 112 dias para o dia 6 de junho. Quantas pessoas em 14 de fevereiro de 1944 poderiam imaginar os eventos que estavam em curso e o que eles ocasionariam não apenas para a guerra em curso, mas para todo o futuro da humanidade? Como seria o mundo atual se a invasão não tivesse sido bem sucedida? E se a Alemanha Nazista não tivesse sido derrotada?
Abrimos o jornal, ligamos a TV e somos bombardeados com informações sobre uma Grande Guerra que está sendo gestada. Uma guerra que poderá ser a última e selar definitivamente o nosso futuro.
Uma guerra entre o Ocidente e o Oriente, ou seria entre a intolerância e a arrogância.
Não sei. Mas sei que devemos ficar atentos e emitirmos os nossos melhores pensamentos em prol de todos aqueles que hoje têm em suas mão o poder de evitar que eventos nefastos continuem a ocorrer e contribuir para um futuro incerto e doloroso para as gerações futuras.
Afinal podem faltar apenas 90 dias... ou menos...